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Restaurar 30% de áreas degradadas pode salvar 71% de espécies

16 de outubro de 2020 3 min de leitura
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Escrito por: Robson Rodrigues

Um estudo global encomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), feito por 27 pesquisadores de 12 países, fez um mapeamento dos ecossistemas em todo o mundo e calculou que a restauração de 30% deles em áreas prioritárias pode evitar mais de 70% das extinções espécies e absorver 466 bilhões de toneladas de gás carbônico, o que equivale a 49% de todo o acumulado na atmosfera desde a Revolução Industrial.

A pesquisa foi publicada na revista Nature e é liderada pelo cientista brasileiro Bernardo Strassburg da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RIO). Foram identificados um total de 2,9 bilhões de hectares de terras restauráveis. As áreas prioritárias estão em todos os continentes, das ilhas no Mar Báltico até a Terra do Fogo, no extremo-sul argentino. Também incluem todos os biomas, de florestas a desertos, que também têm importância para a biodiversidade.

A Mata Atlântica

O Brasil tem várias áreas entre as mais prioritárias, concentradas principalmente na Mata Atlântica. Esse é o bioma de alta prioridade global sob qualquer um dos critérios.

“Seja para salvar as espécies da extinção ou para mitigar mudanças climáticas, e em particular para ambos simultaneamente, a Mata Atlântica é especial. Grande parte dela está na zona de alta prioridade de restauração da nossa escala”, destaca Strassburg.

Para determinar as áreas prioritárias, os pesquisadores combinaram três critérios: preservação da biodiversidade, sequestro de carbono (a retirada de gás carbônico da atmosfera) e os custos.

“Definir essas áreas prioritárias é importante porque, dependendo de onde a restauração acontece, os resultados podem ser bastante diferentes”, diz.

A floresta brasileira é um dos biomas mais biodiversos do planeta e fornece uma série de serviços ambientais, como água, alimentos, regulação do clima, abriga plantas com princípios ativos para a área da medicina, protege a fertilidade do solo, entre outras coisas. Mesmo assim a região foi a mais devastada do Brasil. Segundo dados do SOS Mata Atlântica, restam apenas 12,4% da floresta que existia originalmente.

Duas maracanãs pousadas em um tronco de madeira, em frente a uma placa com os dizeres “Nossa Mata Atlântica”. Além delas, folhas verdes e elementos naturais que compõem a cena.
A Mata Atlântica é lar de muitas espécies incríveis, como essas maracanãs. Preservar esse bioma significa garantir um futuro para sua biodiversidade.

Uma das dificuldades em restaurar essa região é porque mais de 70% da população brasileira vive nessas áreas. São mais de 145 milhões de pessoas em 3.429 municípios. A quase completa destruição da Mata Atlântica se deve à ocupação e à superexploração.  Inicialmente para a extração do pau brasil, seguida do ciclo da cana-de-açúcar e café, implantação da pecuária, exploração de ouro e madeira. Por outro lado, Strassburg não considera que restaurar áreas degradadas atrapalhe o desenvolvimento de atividades econômicas.

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