Instituto Claravis: como 1 ave transformou a conservação no Parque das Aves
Conheça a história do Instituto Claravis, criado pelo Parque das Aves após o desaparecimento da pararu-espelho na região do Iguaçu.
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O desaparecimento da pararu-espelho na região do Iguaçu contribuiu para uma mudança na atuação do Parque das Aves e inspirou a criação de uma organização dedicada à conservação eficaz e colaborativa de espécies brasileiras.
Neste texto, você vai conhecer:
- A história da pararu-espelho e sua relação com o Parque das Aves;
- Como essa espécie contribuiu para uma mudança no foco de conservação da instituição;
- Por que foi criado o Instituto Claravis;
- Como o CSE Brasil fortalece ações para a conservação de espécies brasileiras.
A pararu-espelho (Paraclaravis geoffroyi) é uma pequena ave da Mata Atlântica cuja história teve um papel importante na trajetória do Parque das Aves. O desaparecimento da espécie na região do Iguaçu contribuiu para uma reflexão sobre como a instituição poderia ampliar sua atuação para evitar que outras aves ameaçadas seguissem o mesmo caminho.
A partir desse processo, em 2017, o Parque das Aves passou a concentrar seus esforços de conservação nas aves da Mata Atlântica. Em 2020, essa trajetória avançou com a criação do Instituto Claravis, organização sem fins lucrativos fundada para contribuir com ações eficazes e colaborativas de conservação no Brasil.
Hoje, essa atuação conecta especialistas, instituições e diferentes estratégias para enfrentar um dos principais desafios da conservação: agir enquanto ainda há tempo para evitar o desaparecimento de uma espécie.
Pararu-espelho: uma espécie que mudou a história do Parque das Aves
A pararu-espelho é uma ave da família Columbidae, que reúne pombas, rolinhas e outras espécies relacionadas. Endêmica da Mata Atlântica, é uma espécie associada a ambientes com bambus e especializada no consumo de suas sementes. Seu nome popular está relacionado ao brilho metálico presente nas asas. Pequena e discreta, a espécie se tornou também um exemplo dos desafios envolvidos na conservação de animais raros e pouco conhecidos.
Na região do Iguaçu, a ausência da pararu-espelho chamou a atenção da equipe do Parque das Aves. Pesquisas posteriores realizadas no Parque Nacional do Iguaçu também não registraram a espécie, indicando a possibilidade de extinção local. No Paraná, a espécie é considerada regionalmente extinta.
Não há evidências documentais, como fotografias, gravações, vídeos ou exemplares, que confirmem sua permanência em ambiente de ocorrência natural depois da década de 1980, embora tenham existido relatos posteriores. Em âmbito nacional, está classificada como Criticamente em Perigo, possivelmente extinta.

O desaparecimento da espécie contribuiu para uma mudança na missão do Parque das Aves
O Parque das Aves já desenvolvia atividades relacionadas ao acolhimento, cuidado, reprodução e conservação de animais. O desaparecimento da pararu-espelho na região do Iguaçu, no entanto, provocou uma reflexão sobre a necessidade de ampliar esse trabalho.
A partir de 2017, a instituição passou a concentrar seus esforços de conservação nas aves da Mata Atlântica, especialmente em espécies ameaçadas e que necessitam de ações específicas para reduzir seu risco de extinção. A mudança de posicionamento teve relação direta com a história da pararu-espelho.
A conservação de espécies exige atuação em diferentes frentes. Além do cuidado dos animais sob cuidados humanos, pode envolver pesquisa científica, acompanhamento de populações em ambiente de ocorrência natural, planejamento, reprodução, proteção de ambientes, manejo populacional e articulação entre instituições.
Essa mudança também reforçou uma atuação preventiva, voltada à identificação de ameaças e ao desenvolvimento de estratégias de conservação antes que as populações atinjam níveis críticos. Como esse trabalho depende da colaboração entre diferentes instituições, especialistas e áreas de conhecimento, tornou-se necessário ampliar e fortalecer essas redes. Esse processo contribuiu para a criação do Instituto Claravis, dedicado a promover uma conservação eficaz e colaborativa no Brasil.
Instituto Claravis nasceu para ampliar ações de conservação
Em 2020, o Parque das Aves estabeleceu o Instituto Claravis, uma organização de conservação sem fins lucrativos criada para realizar e acelerar ações voltadas à conservação de espécies.
O nome do Instituto mantém uma ligação direta com a ave que inspirou essa transformação. A pararu-espelho já foi classificada cientificamente como Claravis geoffroyi. Atualmente, seu nome científico aceito é Paraclaravis geoffroyi. Assim, “Claravis” preserva na identidade da organização a história da espécie que teve papel importante na redefinição da atuação do Parque das Aves.
A missão do Instituto é possibilitar e aprimorar a conservação eficaz e colaborativa no Brasil. Sua atuação busca conectar conhecimento técnico, planejamento, instituições e profissionais para fortalecer iniciativas destinadas à proteção da biodiversidade brasileira.
Atualmente, o Instituto Claravis é composto por três centros:
- Centro de Conservação de Aves da Mata Atlântica.
- Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil – CSE Brasil.
- Centro de Apoio à Fauna Silvestre – CAFS “Aves da Mata Atlântica”.
Este último desenvolvido em parceria com o Governo do Estado do Paraná.

Conservação de espécies depende de colaboração
A conservação de uma espécie envolve diferentes conhecimentos, instituições e áreas de atuação. Pesquisadores, órgãos públicos, universidades, organizações da sociedade civil, zoológicos, centros de conservação e especialistas podem contribuir em diferentes etapas desse processo.
Essa colaboração permite reunir dados sobre as populações, identificar ameaças, estabelecer prioridades, planejar estratégias e implementar ações. O Instituto Claravis atua dentro dessa perspectiva, buscando fortalecer redes capazes de transformar conhecimento em ações efetivas de conservação.Essa forma de trabalho também reconhece que cada espécie possui necessidades próprias. Em alguns casos, a prioridade pode ser ampliar o conhecimento científico disponível. Em outros, podem ser necessárias ações de proteção de ambientes, reprodução sob cuidados humanos, manejo populacional, reforço de populações ou possível reintrodução.
Um exemplo é o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Mata Atlântica – PAN Aves da Mata Atlântica, que reúne estratégias e instituições para enfrentar as ameaças às espécies do bioma. O Parque das Aves e o Instituto Claravis participam de ações relacionadas a esse planejamento.
Essa articulação permite que diferentes instituições contribuam a partir de suas especialidades para um objetivo comum: conservar espécies antes que suas populações cheguem a situações irreversíveis.
CSE Brasil fortalece a conservação de espécies brasileiras
Entre as estruturas que integram o Instituto Claravis está o Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil – CSE Brasil, sediado em Foz do Iguaçu.
O Centro resulta de uma colaboração entre o Parque das Aves, a Comissão para a Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN SSC e o Grupo Especialista em Planejamento para a Conservação – CPSG.
Seu trabalho busca impulsionar esforços de conservação no Brasil por meio da avaliação das ameaças enfrentadas pelas espécies, do planejamento de ações e do apoio à implementação de estratégias de conservação. Essa atuação permite conectar profissionais e instituições brasileiras a uma rede internacional de conhecimento e planejamento para a conservação.
O Instituto Claravis também atua como instituição executora de iniciativas que ultrapassam o foco específico nas aves da Mata Atlântica. Um exemplo é um projeto voltado à conservação de espécies ameaçadas do Cerrado, realizado em parceria com instituições nacionais e internacionais.
Dessa forma, uma transformação iniciada a partir da história de uma pequena ave da Mata Atlântica passou a contribuir para estratégias de conservação em uma escala mais ampla.

Da identificação do risco às ações de conservação
Reconhecer que uma espécie está ameaçada é uma etapa fundamental, mas não suficiente para garantir sua conservação.
Depois da avaliação do risco de extinção, é necessário compreender quais ameaças afetam a espécie, identificar quais medidas podem contribuir para sua recuperação, definir responsabilidades e acompanhar os resultados das ações implementadas. É nesse processo que a colaboração entre diferentes instituições se torna especialmente importante.
O trabalho pode envolver tanto ações em ambiente de ocorrência natural quanto iniciativas realizadas sob cuidados humanos. Dependendo da situação de cada espécie, diferentes estratégias podem ser combinadas para aumentar as possibilidades de recuperação de suas populações.
A história da pararu-espelho evidencia a importância desse trabalho preventivo. Quando há poucas informações disponíveis e as populações já estão muito reduzidas, as possibilidades de intervenção também podem se tornar mais limitadas. Por isso, a conservação eficaz depende de conhecimento científico, planejamento de longo prazo, recursos, acompanhamento contínuo e colaboração.

O legado da pararu-espelho para a conservação
O desaparecimento da pararu-espelho na região do Iguaçu tornou-se um símbolo na história do Parque das Aves.
A espécie contribuiu para uma mudança no foco de atuação da instituição, que passou a direcionar seus esforços de conservação para as aves da Mata Atlântica. Posteriormente, sua história também inspirou o nome e a criação do Instituto Claravis. Hoje, esse legado está presente em iniciativas que conectam avaliação, planejamento e implementação de ações de conservação, além da articulação entre diferentes instituições e especialistas.
Conhecer essa história também contribui para compreender que a conservação não começa apenas quando uma espécie se aproxima do desaparecimento. O acompanhamento das populações, a produção de conhecimento e a implementação de medidas preventivas são fundamentais para reduzir o risco de novas perdas.
Ao visitar o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, os visitantes também contribuem para a continuidade de um trabalho que tem como um de seus principais focos a conservação das aves da Mata Atlântica. A experiência permite conhecer espécies do bioma e compreender melhor os desafios e as ações necessárias para sua conservação.
A pararu-espelho permanece como parte importante dessa trajetória e como referência para uma atuação que busca evitar que outras espécies brasileiras cheguem à mesma situação.
Perguntas frequentes sobre o Instituto Claravis
O que é o Instituto Claravis?
O Instituto Claravis é uma organização de conservação sem fins lucrativos fundada pelo Parque das Aves. Sua missão é possibilitar e aprimorar a conservação eficaz e colaborativa no Brasil, contribuindo para conectar instituições, especialistas, conhecimento e ações de conservação.
Por que o Instituto Claravis recebeu esse nome?
O nome é uma referência à pararu-espelho (Paraclaravis geoffroyi), anteriormente classificada cientificamente como Claravis geoffroyi. O desaparecimento da espécie na região do Iguaçu teve papel importante na mudança do foco de conservação do Parque das Aves e inspirou a criação do Instituto.
A pararu-espelho está extinta?
A classificação oficial brasileira atual é Criticamente em Perigo (Possivelmente Extinta), CR (PE). Isso significa que existem fortes indícios de desaparecimento, mas a espécie não deve ser apresentada como definitivamente extinta. Na região do Iguaçu, pesquisas recentes não encontraram registros da espécie, indicando uma extinção local.
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Sobre o Parque das Aves
O Parque das Aves, que possui um centro de conservação focado em espécies da Mata Atlântica e atua no acolhimento de animais resgatados, é o atrativo mais visitado do Paraná depois das Cataratas e possui mais de 30 anos de história.
Há anos com o selo Travellers’ Choice, e em primeiro lugar na lista dos mais indicados do Brasil, ambos pelo TripAdvisor, o Parque também se destaca pela gastronomia, com o Restaurante Sabores da Floresta premiado no Festival Bom Gourmet em 2026, reforçando a experiência como um dos destaques para quem visita Foz do Iguaçu. Como instituição privada, os visitantes promovem a continuidade do trabalho do atrativo por meio da visita ao Parque, do consumo nos restaurantes do Complexo Gastronômico (Restaurante Sabores da Floresta, Bistrô da Mata e Café da Praça) e das compras na Loja de souvenirs.