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Parque das Aves registra nascimento de 14 periquitos cara-suja

09 de março de 2026 5 min de leitura
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O nascimento de 14 filhotes de periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus), espécie ameaçada de extinção, marca um avanço significativo no trabalho desenvolvido pelo Parque das Aves, em Foz do Iguaçu. Os indivíduos nasceram nas últimas semanas sob cuidados humanos, como resultado direto de um manejo reprodutivo planejado e de uma estratégia técnica voltada à manutenção e fortalecimento da população da espécie. O marco representa um novo passo no projeto dedicado ao cara-suja, ave endêmica da Mata Atlântica do nordeste brasileiro.

“Cada nascimento de uma espécie ameaçada é resultado de um trabalho técnico rigoroso, que envolve planejamento genético, acompanhamento sanitário e decisões estratégicas construídas ao longo do tempo. No caso do periquito cara-suja, esses 14 filhotes representam um avanço concreto dentro de um programa estruturado, que busca garantir segurança populacional e contribuir para o futuro da espécie”, destaca a diretora técnica do Parque das Aves, Roberta Manacero, que também atua como studbook keeper da espécie, profissional responsável por coordenar e monitorar as informações genealógicas da população sob cuidados humanos, permitindo o planejamento criterioso dos pareamentos em nível nacional.

Considerado Em Perigo de extinção, o periquito cara-suja enfrenta há décadas a redução de sua população em ambiente de ocorrência natural, especialmente no Ceará, em função da perda de habitat e da captura ilegal. Nesse cenário, cada novo indivíduo nascido sob cuidados humanos fortalece a base genética da população manejada e amplia as possibilidades de ações coordenadas dentro do projeto de conservação, reforçando a responsabilidade técnica envolvida em cada ciclo reprodutivo concluído com sucesso.

Como aconteceram os nascimentos

Os 14 filhotes tiveram seus ovos incubados artificialmente como parte da estratégia de cuidados para a espécie. O período médio de incubação varia entre 22 e 24 dias. Durante esse tempo, a equipe de Neonatologia acompanha parâmetros como temperatura, umidade, desenvolvimento embrionário e batimentos cardíacos, garantindo condições adequadas para cada fase do processo.

“Atuar com uma espécie criticamente ameaçada exige organização minuciosa em cada etapa. Desde a definição dos casais até o monitoramento diário dos ovos e dos filhotes, todo o processo é planejado para garantir viabilidade genética e segurança no desenvolvimento dos indivíduos”, explica o gerente de Manejo do Parque das Aves, Richarlyston Brandt.

Após as primeiras semanas de vida, os filhotes seguem para um recinto interno, onde continuam o desenvolvimento com acompanhamento técnico especializado. Atualmente, o Parque das Aves abriga 15 indivíduos adultos de cara-suja sob cuidados humanos. Os novos nascimentos integram um manejo reprodutivo planejado, que organiza os grupos de forma estratégica para garantir variabilidade genética e sustentabilidade populacional a longo prazo. 

Projeto Cara-suja e população de segurança

filhote de periquito cara-suja

O trabalho do Parque das Aves com o periquito cara-suja está conectado ao Projeto Cara-suja, liderado pela Aquasis. Dentro dessa parceria, o Parque atua na reprodução da espécie sob cuidados humanos, contribuindo para a formação de indivíduos que podem futuramente atuar como reforço populacional em ambiente de ocorrência natural e para a consolidação de uma população de segurança.

“A formação de uma população de segurança é uma estratégia essencial para espécies ameaçadas. Ela garante uma base genética e demográfica estável caso ocorram perdas significativas na população em ambiente de ocorrência natural. Cada filhote que nasce amplia essa segurança e fortalece o planejamento de longo prazo para a espécie”, ressalta a supervisora de Manejo do Parque das Aves, Analy Terme.

Como resultado desse trabalho integrado, dois periquitos cara-suja nascidos no Parque das Aves foram oficialmente reintroduzidos na Serra da Aratanha, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará, em outubro de 2024, sendo liberados diretamente no ambiente de ocorrência natural da espécie após etapa de adaptação supervisionada pela Aquasis. Uma equipe do Parque acompanhou pessoalmente essa etapa de liberação, reforçando a importância de ações coordenadas que conectam os nascimentos sob cuidados humanos com o fortalecimento populacional em ambiente de ocorrência natural.

Existe ainda a possibilidade de que outros indivíduos sejam enviados futuramente ao Projeto Cara-suja e também para outras instituições no Brasil, conforme planejamento técnico e critérios genéticos estabelecidos. Cada ciclo reprodutivo concluído com sucesso representa um avanço técnico e institucional em direção a um futuro mais seguro para o cara-suja.

Sobre o Parque das Aves


O Parque das Aves, que possui um centro de conservação focado em espécies da Mata Atlântica e atua no acolhimento de animais resgatados, é o atrativo mais visitado do Paraná depois das Cataratas e completou 31 anos de atuação em 2025. Como instituição privada, os visitantes promovem a continuidade do trabalho do atrativo por meio da visita ao Parque, do consumo nos restaurantes do Complexo Gastronômico (Restaurante Sabores da Floresta, Bistrô da Mata e Café da Praça) e das compras na Loja de souvenirs.

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