Implante de penas ajuda urutau resgatado no Parque das Aves
Conheça como o implante de penas auxiliou a recuperação de um urutau resgatado no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, e fortalece a conservação.
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O cuidado com uma ave resgatada vai muito além do tratamento de uma lesão visível. Em alguns casos, técnicas especializadas são fundamentais para auxiliar o animal na capacidade de realizar um dos comportamentos mais importantes para sua sobrevivência: voar.
Foi o que aconteceu com um urutau (Nyctibius griseus) acolhido pelo Parque das Aves, em Foz do Iguaçu (PR). A equipe veterinária realizou um implante de penas para auxiliar na recuperação da ave, que chegou à instituição com histórico de fratura em uma das asas e diversas penas quebradas, condição que comprometia seu voo e sua locomoção.
O procedimento faz parte das estratégias utilizadas pelo Parque das Aves para promover o bem-estar animal e oferecer as melhores condições de recuperação aos animais resgatados sob seus cuidados.

O que é o implante de penas?
Embora muita gente nunca tenha ouvido falar nessa técnica, o implante de penas é um procedimento reconhecido na medicina veterinária e utilizado em diversos centros de conservação e recuperação ao redor do mundo.
Seu objetivo é substituir temporariamente penas danificadas por penas saudáveis da mesma espécie, restaurando a aerodinâmica necessária para que o animal volte a voar ou planar enquanto aguarda o crescimento natural de novas penas.
As penas implantadas funcionam como uma espécie de “ponte” até a próxima muda natural.
Como as penas são formadas por queratina, a mesma proteína presente nas unhas e nos cabelos humanos, uma pena quebrada não causa dor ao animal. No entanto, ela pode comprometer funções essenciais, principalmente o voo.
Como o procedimento é realizado?
Cada caso passa por uma avaliação criteriosa da equipe veterinária antes da indicação do implante.
No caso do urutau, as penas quebradas dificultavam sua movimentação mesmo após a recuperação da fratura. Por isso, o procedimento foi considerado a melhor alternativa para favorecer sua reabilitação.
Durante o implante:
- são utilizadas penas de outro indivíduo da mesma espécie;
- cada pena é selecionada cuidadosamente;
- elas são fixadas nas estruturas remanescentes da ave por meio de técnicas específicas;
- o alinhamento é ajustado para garantir estabilidade e desempenho durante o voo.
O procedimento costuma ser realizado sob anestesia. Isso permite que a equipe trabalhe com maior precisão e proporciona mais segurança durante toda a manipulação.

Segundo a médica veterinária do Parque das Aves, Ligia Oliva, cada indivíduo apresenta necessidades diferentes.
“Cada caso de reabilitação exige uma avaliação individual. Neste urutau, além do histórico de lesão, as penas quebradas comprometiam sua movimentação e segurança. O implante foi indicado para auxiliar na recuperação da capacidade de voo e proporcionar melhores condições para que o animal volte a voar ou planar de forma segura.”
Por que as penas são tão importantes?
As penas não servem apenas para deixar as aves bonitas. Elas desempenham funções essenciais para a sobrevivência, como:
- permitir o voo;
- proteger o corpo contra variações de temperatura;
- auxiliar na impermeabilização;
- participar da comunicação entre indivíduos;
- contribuir para camuflagem e defesa.
Quando uma ave perde penas importantes ou sofre fraturas nelas, sua capacidade de voar pode ficar seriamente comprometida, mesmo que os ossos estejam completamente recuperados.
É justamente nesses casos que o implante de penas pode fazer toda a diferença.
Recuperação com foco no bem-estar animal
Além de melhorar o voo, o implante reduz riscos de acidentes durante o período de recuperação.
Uma ave que não consegue voar adequadamente pode sofrer novas quedas, provocar outras lesões e atrasar ainda mais seu processo de reabilitação.
No caso do urutau acolhido pelo Parque das Aves, o procedimento também favoreceu o fortalecimento da musculatura de voo, permitindo que o animal retomasse gradualmente seus movimentos enquanto as novas penas crescem naturalmente.
A equipe segue acompanhando sua evolução para avaliar a resposta ao tratamento e definir os próximos passos da recuperação.
Conheça o urutau
Pouco conhecido pelo público, o urutau (Nyctibius griseus) é uma das aves mais curiosas da fauna brasileira.
Sua principal característica é a incrível capacidade de camuflagem. Durante o dia, ele permanece completamente imóvel sobre troncos de árvores, mantendo o corpo ereto e os olhos semicerrados. Nessa posição, sua plumagem se confunde com a casca da árvore, tornando-o extremamente difícil de ser encontrado.
Outra curiosidade é seu hábito noturno. O urutau caça principalmente insetos em voo, aproveitando sua ampla abertura de boca para capturar presas durante a noite.
Sua estratégia de sobrevivência depende diretamente da capacidade de voar com precisão, tornando qualquer dano às penas um fator importante para sua recuperação.

O acolhimento de animais resgatados
Mais da metade dos animais sob cuidados humanos no Parque das Aves chegou à instituição por meio de resgates realizados por órgãos ambientais.
Esses animais podem ter sido vítimas de:
- tráfico de fauna;
- acidentes causados pela ação humana;
- perda de habitat;
- colisões;
- outras situações que impedem seu retorno imediato ao ambiente de ocorrência natural.
Ao chegarem ao Parque, recebem atendimento especializado realizado por profissionais de diferentes áreas, incluindo medicina veterinária, biologia, zootecnia e manejo animal.
Cada indivíduo possui necessidades específicas e passa a viver em ambientes planejados para promover Bem-estar Animal e qualidade de vida.
Conservação da Mata Atlântica na prática
O cuidado diário com animais resgatados faz parte de um trabalho muito maior.
Além da reabilitação, o Parque das Aves desenvolve programas de conservação, reprodução, pesquisa científica e cooperação com outras instituições, contribuindo para a proteção de espécies ameaçadas da Mata Atlântica.
Todo esse conhecimento também é compartilhado com os visitantes durante a experiência no Parque.
Ao longo da trilha, mediadores promovem conversas sobre biodiversidade, conservação e a importância da Mata Atlântica, enquanto placas interpretativas aprofundam diversos temas relacionados às aves e aos ambientes naturais.
Segundo Gabriela Possato, supervisora pedagógica de Educação para Conservação do Parque das Aves:
“Nosso propósito é conectar pessoas à Mata Atlântica de forma tão profunda que elas se tornem parceiras na conservação.”
Essa conexão transforma a visita em uma oportunidade de conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelo Parque e compreender como pequenas atitudes podem contribuir para a proteção da biodiversidade.
Cada visita ajuda a conservar a Mata Atlântica
O implante de penas realizado no urutau é apenas um exemplo do trabalho desenvolvido diariamente pela equipe do Parque das Aves.
Cada procedimento reúne conhecimento técnico, dedicação e cuidado para oferecer as melhores condições possíveis aos animais acolhidos. Mais do que recuperar indivíduos, esse trabalho fortalece ações de conservação que beneficiam espécies ameaçadas da Mata Atlântica.
Ao visitar o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, cada pessoa contribui diretamente para a continuidade dessas iniciativas. Como instituição privada, o Parque mantém suas atividades graças ao apoio dos visitantes, que ajudam a tornar possível o cuidado com animais resgatados, a conservação da biodiversidade e a conexão entre pessoas e o mundo natural.