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Aves sentem gosto? Descubra como araras e papagaios percebem os alimentos

15 de abril de 2026 6 min de leitura
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Logo de cara, já vale quebrar um mito comum: sim, as aves sentem gosto. E algumas delas, como araras, papagaios e periquitos, vão muito além do básico quando o assunto é paladar.

Essas espécies fazem parte do grupo dos psitacídeos e possuem uma das estruturas gustativas mais complexas entre todas as aves. Isso influencia diretamente o comportamento, a alimentação e até a conservação dessas espécies na natureza.

Ao longo deste texto, você vai entender como funciona o paladar das aves, por que elas comem pimenta sem problema nenhum e como isso tudo se conecta com o trabalho de conservação realizado aqui no Parque das aves!

Aves sentem gosto? Sim, e algumas são especialistas nisso!

Muitas pessoas acreditam que as aves não têm um paladar desenvolvido. Essa ideia vem da comparação com algumas espécies, como as galinhas, que possuem apenas cerca de 12 papilas gustativas bem simples. Mas os psitacídeos contam outra história.

Essas aves possuem entre 300 e 400 papilas gustativas, o que permite uma percepção muito mais refinada dos alimentos. Na prática, isso significa que elas conseguem identificar sabores como doce, salgado, azedo e amargo, além de perceber diferenças de textura e até avaliar a forma dos alimentos antes de consumir. Isso explica por que demonstram preferências alimentares bem definidas, geralmente com maior interesse por sabores doces e uma tendência a evitar o amargo.

A língua das aves: um verdadeiro sensor de sabores

Grande parte dessa capacidade está na língua. Nos psitacídeos, ela é grossa, flexível e extremamente sensível. Além disso, essas aves possuem uma musculatura mandibular forte, que permite pressionar o alimento contra as ranhuras do bico.

Esse processo funciona como uma análise detalhada do alimento. Ao manipular o que vão comer, elas conseguem quebrar, selecionar e aproveitar melhor os nutrientes. É como se cada refeição passasse por uma espécie de teste antes de ser realmente ingerida.

Por que as aves comem pimenta sem sentir ardência?

Aqui entra uma das curiosidades mais fascinantes sobre o paladar das aves. Mesmo com essa sensibilidade, araras e papagaios consomem pimentas com total tranquilidade.

A ardência das pimentas é causada pela capsaicina, uma substância presente em plantas do gênero Capsicum. Nos mamíferos, essa substância ativa um receptor nervoso chamado TRPV1, responsável por enviar ao cérebro a sensação de calor e dor.

Nas aves, o cenário é diferente. Elas também possuem o receptor TRPV1, mas ele não responde à capsaicina. Isso significa que aquilo que para nós é extremamente ardido não causa qualquer desconforto para elas. Assim, conseguem consumir até pimentas muito fortes sem problema algum.

Uma parceria perfeita na natureza

Essa característica é resultado de um processo evolutivo conhecido como coevolução. Ao longo do tempo, as plantas desenvolveram estratégias para garantir a dispersão de suas sementes.

Os mamíferos, ao comerem pimentas, acabam mastigando e destruindo as sementes, o que prejudica a reprodução da planta. Já as aves engolem essas sementes inteiras. Elas passam pelo sistema digestivo sem danos e são eliminadas em outros locais, prontas para germinar.

Esse processo transforma as aves em dispersoras extremamente eficientes, contribuindo diretamente para a regeneração de áreas naturais, especialmente na Mata Atlântica.

Pimentas fazem bem para as aves?

Além de não causarem desconforto, as pimentas trazem benefícios importantes para a saúde das aves. No Parque das Aves, esse conhecimento é aplicado com base técnica. O Setor de Zootecnia desenvolveu uma Planilha de Enriquecimento de Alimentos exclusiva para psitacídeos, orientando a oferta segura desses itens.

Do ponto de vista nutricional, as pimentas são ricas em betacaroteno, precursor da vitamina A. Esse nutriente é essencial para o crescimento, fortalecimento da resposta imune e manutenção das mucosas e epitélios.

Outro aspecto interessante está na coloração das penas. As pimentas possuem altas concentrações de pigmentos carotenoides, como a capsantina, que são incorporados durante a formação das penas. Isso contribui para intensificar e manter as cores vibrantes, como o vermelho, o laranja e o amarelo presentes nas araras.

Enriquecimento ambiental e bem-estar

A alimentação também desempenha um papel importante no bem-estar das aves sob cuidados humanos. A introdução de alimentos como pimentas, com cores vivas e diferentes texturas, estimula comportamentos naturais.

Esse tipo de estímulo incentiva o forrageamento, mantém as aves ativas e engajadas e contribui para evitar comportamentos indesejados. Ao oferecer desafios e variedade, o ambiente se torna mais dinâmico e interessante para os animais.

No Parque das Aves, essas práticas fazem parte de um cuidado contínuo, que integra nutrição, comportamento e conhecimento científico para garantir qualidade de vida às espécies.

O cuidado com as aves no Parque das Aves

O Parque das Aves é um centro de conservação de animais da Mata Atlântica. Reconhecido como o atrativo mais visitado do Paraná depois das Cataratas, o Parque desenvolve um trabalho essencial com espécies sob cuidados humanos.

Cada detalhe da rotina das aves, incluindo a alimentação, é planejado para promover saúde física e bem-estar. Esse cuidado também tem um papel importante na sensibilização dos visitantes, aproximando as pessoas da natureza e mostrando a importância da conservação.

Esse conhecimento é aplicado diariamente para garantir o bem-estar das aves e fortalecer ações de conservação da Mata Atlântica. Ao visitar o atrativo em Foz do Iguaçu, você contribui diretamente para esse trabalho e tem a oportunidade de se conectar com espécies incríveis de perto.

Sobre o Parque das Aves

O Parque das Aves, que possui um centro de conservação focado em espécies da Mata Atlântica e atua no acolhimento de animais resgatados, é o atrativo mais visitado do Paraná depois das Cataratas e completou 31 anos de atuação em 2025. Como instituição privada, os visitantes promovem a continuidade do trabalho do atrativo por meio da visita ao Parque, do consumo nos restaurantes do Complexo Gastronômico (Restaurante Sabores da Floresta, Bistrô da Mata e Café da Praça) e das compras na Loja de souvenirs.

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