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Quero-quero: conheça essa ave limícola

18 de setembro de 2026 7 min de leitura
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Presentes em diferentes partes do mundo, as aves limícolas estão adaptadas a ambientes como margens de rios, lagoas, praias e áreas alagadas. Algumas realizam grandes deslocamentos entre continentes, enquanto espécies como o quero-quero podem estar muito mais próximas do que se imagina.

Algumas espécies percorrem milhares de quilômetros durante suas migrações, conectando diferentes regiões e até continentes. Outras são residentes e podem ser encontradas em diferentes partes do Brasil. É o caso do quero-quero (Vanellus chilensis), uma ave limícola bastante conhecida, que pode estar presente em campos, parques e áreas abertas da própria região onde o leitor vive. No Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, também é possível conhecer a espécie e observar de perto algumas de suas características.

O que são aves limícolas?

A palavra “limícola” tem origem no latim limus, que significa lama ou lodo. O termo é utilizado para um conjunto de aves que apresenta forte relação com áreas úmidas e ambientes de transição entre a água e a terra. Entre elas estão maçaricos, batuíras e quero-queros. Muitas dessas aves procuram alimento em águas rasas, bancos de areia, lama e outros sedimentos, onde encontram insetos, crustáceos, moluscos e diferentes pequenos organismos.

As características variam bastante entre as espécies. Pernas mais compridas podem facilitar o deslocamento em águas rasas, enquanto diferentes formatos de bico permitem explorar o solo, a lama ou a água em busca de alimento. Essa variedade de adaptações faz com que diferentes espécies limícolas possam utilizar uma mesma área úmida de maneiras distintas.

quero-quero
Foto: Rafael Rosa

Aves limícolas podem atravessar grandes distâncias

Uma das características mais impressionantes de muitas aves limícolas é a capacidade de realizar longos deslocamentos migratórios. Algumas espécies percorrem milhares de quilômetros entre seus locais de reprodução e as áreas utilizadas para alimentação e descanso em outras épocas do ano.

Essas jornadas podem conectar regiões muito distantes e incluir extensos deslocamentos por áreas costeiras e sobre o oceano. Por isso, praias, estuários, manguezais, banhados e outros ambientes úmidos distribuídos ao longo das rotas migratórias funcionam como pontos fundamentais para descanso e alimentação.

O Brasil faz parte das rotas utilizadas por diferentes aves limícolas migratórias. A conservação desses ambientes, portanto, possui importância que ultrapassa fronteiras geográficas, já que uma mesma ave pode depender de áreas localizadas em diferentes países ao longo do seu ciclo de vida.

quero quero de close

Quero-quero: uma ave limícola que pode estar perto de você

O quero-quero (Vanellus chilensis) pertence à família Charadriidae, que inclui diferentes aves limícolas. Amplamente distribuída no Brasil, a espécie utiliza campos, pastagens, margens de corpos d’água e outras áreas abertas, inclusive espaços modificados pela presença humana.

Por isso, ao contrário de espécies limícolas que percorrem enormes distâncias migratórias, o quero-quero pode ser uma presença bastante familiar. Sua plumagem combina tons de cinza, preto e branco, as pernas apresentam coloração avermelhada e sua vocalização característica facilita sua identificação. A alimentação inclui principalmente invertebrados, como insetos, larvas e minhocas.

A espécie constrói o ninho no solo e apresenta comportamento territorial durante o período reprodutivo. Sua vocalização pode ser utilizada em diferentes situações, inclusive para sinalizar a presença de possíveis ameaças próximas ao território.

No Parque das Aves, o quero-quero pode ser encontrado em diferentes pontos da trilha. Assim, uma ave que muitas pessoas reconhecem de campos, parques e áreas abertas de suas próprias cidades também pode ser observada durante uma visita ao Parque, em meio à Mata Atlântica.

O que observar em uma ave limícola?

Observar uma ave limícola permite perceber como suas características estão relacionadas ao ambiente em que vive. O formato das pernas e dos pés, o comprimento do bico e a maneira como procura alimento oferecem pistas sobre a forma como cada espécie utiliza áreas úmidas.

No caso do quero-quero, a relação com ambientes abertos é especialmente evidente. A espécie costuma caminhar pelo solo em busca de alimento e pode ocupar tanto áreas próximas à água quanto campos e gramados.

Essa capacidade de utilizar diferentes ambientes contribui para que o quero-quero seja encontrado em grande parte do Brasil e esteja entre as aves mais facilmente reconhecidas pela população.

Nem toda ave de áreas úmidas é uma ave limícola

Áreas úmidas são utilizadas por uma enorme diversidade de aves, mas isso não significa que todas sejam classificadas como limícolas. Essa distinção é importante para compreender melhor os diferentes grupos presentes nesses ambientes.

No Parque das Aves, por exemplo, além do quero-quero, os visitantes podem conhecer espécies como o guará (Eudocimus ruber), o colhereiro (Platalea ajaja) e o maguari (Ciconia maguari). Todas possuem forte relação com ambientes aquáticos ou áreas alagadas, mas pertencem a outros grupos de aves.

Cada uma apresenta características próprias para explorar esses ambientes. O guará possui bico longo e curvado para baixo, enquanto o colhereiro apresenta um bico achatado e alargado na extremidade. Já o maguari possui pernas compridas e bico longo e reto, características relacionadas à procura por alimento em áreas alagadas.

Essa diversidade ajuda a mostrar que rios, manguezais, banhados e outras áreas úmidas podem sustentar aves com estratégias muito diferentes de alimentação e ocupação do ambiente.

Áreas úmidas conectam aves, ambientes e continentes

As aves limícolas ajudam a demonstrar como a conservação da biodiversidade depende da proteção de diferentes ambientes. Para espécies migratórias, essa relação é ainda mais evidente, pois locais separados por milhares de quilômetros podem fazer parte de uma mesma jornada.

Já espécies residentes, como o quero-quero, mostram que essa conexão também pode estar muito próxima das pessoas. Uma ave observada em um campo, parque ou margem de lagoa pode fazer parte de um grupo com representantes capazes de realizar algumas das grandes migrações.

No Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, conhecer o quero-quero e outras aves associadas a áreas úmidas amplia a compreensão sobre essas relações. A visita também contribui para a continuidade do trabalho de resgate, abrigo e conservação de aves da Mata Atlântica realizado pela instituição.

Perguntas frequentes sobre aves limícolas

O que são aves limícolas?

São aves associadas principalmente a áreas úmidas e ambientes de transição entre a água e a terra, como praias, bancos de lama, margens de rios, lagoas e banhados. Maçaricos, batuíras e quero-queros estão entre os grupos de aves limícolas.

O quero-quero é uma ave limícola?

Sim. O quero-quero (Vanellus chilensis) pertence à família Charadriidae e integra o grupo das aves limícolas. É uma espécie amplamente distribuída no Brasil e pode ocupar campos, pastagens, margens de corpos d’água e outras áreas abertas.

É possível observar uma ave limícola no Parque das Aves?

Sim. O quero-quero pode ser encontrado em diferentes pontos do Parque das Aves, em Foz do Iguaçu. Durante a visita, também é possível conhecer outras aves associadas a ambientes aquáticos e áreas úmidas.

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